Eis que venho, Senhor

Eis que venho, Senhor
Com prazer, faço a vossa vontade.

terça-feira, 31 de março de 2015

A loucura de Andreas Lubitz. Existe algo que define a nossa época: o mal não só assume um rosto reconhecível de perseguição e terror, de fanatismo e sangue inocente, mas em muitos casos termina por adotar uma deformidade espantosa.

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A loucura de Andreas Lubitz

Existe algo que define a nossa época: o mal não só  assume um rosto reconhecível de perseguição e terror, de fanatismo e sangue inocente, mas  em muitos casos   termina  por adotar uma deformidade espantosa, desprovida de ódio, um refinamento planificado, enfermo, incapaz de ser dominado diante da exposição urgente ao perigo.

27/03/15

Roberto Esteban Duque
Roberto Esteban Duque Sacerdote

Não é necessário um certo sacrifício da inteligência para reconhecer a existência do mal, a presunção de uma “vontade de destruir o avião”, como o fiscal francês do caso, Brice Robin, afirmou que adotou o copiloto Andreas Lubitz ao estatelar na terça passada  a aeronave. Qualquer projeto cheio de vigor pode se ver  extraviado; a lealdade mais profunda pode ser quebrada; a maior piedade converter-se em idolatria; o mais radical vínculo com o eterno pode ser abandonado. O que significa isto? Algo essencial: todos estamos em perigo. Não existe  segurança absoluta. Tudo é possível.

Um perigo que sobrevém de atos perturbadores e desintegradores que sacodem e comovem a existência humana. A estrutura do homem contém tendências boas, mas também más. O homem é racional, mas alguns dos impulsos do homem se opõem à racionalidade. Seu instinto vital contém junto à vontade de viver uma misteriosa vontade de perecer, uma consciência obscura que lhe acarreta  o desespero e a morte.

A liberdade é trágica  quando conduz o homem por caminhos de rebelião, arbitrariedade e loucura. A segurança que se deve buscar não se edifica de  fora para dentro, mas de  dentro para fora. O exterior só  pode estar relativamente garantido pelo interior. A segurança capaz de oferecer-nos o melhor avião é surda diante da capacidade destruidora do homem, configurado de  dentro. Não há nenhuma segurança diante de uma personalidade fraca, com a saúde mental ameaçada por uma pretérita depressão de um ano e meio em tratamento psiquiátrico, capaz de atravessar épocas de desintegração pessoal.

A liberdade do homem, afirmou Bento XVI na encíclica “Spe salvi”, “é sempre nova e tem que tomar sempre de novo suas decisões»; o bem estar do mundo não se pode garantir somente nas estruturas ou na trama  social; o bem não estará «definitivamente consolidado», porque a liberdade é sempre frágil, contingente, doada, ferida pelo pecado, capaz de trair sua abertura constitutiva ao bem, à beleza, à verdade e ao amor. A vontade é livre, pode tomar a decisão que quiser.

A última decisão destruidora e dissolvente do jovem Lubitz o levou ao próprio suicídio, à repulsa e negação do ser humano, aniquilando e destruindo 149 vidas mais. Se aquele que ama confirma no amado uma verdade incontestável: omne ens est bonum, é bom que existas, aquele que mata nega a bondade do ser, provocando sua destruição.


Não quero cair num fácil moralismo: é necessário pregar a esperança e anunciar a misericórdia em lugar de denunciar o miserável. Porém pregar a esperança e anunciar a misericórdia supõe o reconhecimento terrível do desespero e da miséria do mundo. A pergunta de Javé a Caím -« o que fizeste? »-, se dirige também ao homem de nossos dias com o fim de que tome consciência da gravidade dos atentados contra a vida.

Há algo que define nossa época: o mal não só  assume um rosto reconhecível de perseguição e terror, de fanatismo e sangue inocente, mas em muitos casos  termina  por adotar uma deformidade espantosa, desprovida de ódio, um refinamento planificado, enfermo, incapaz de ser dominado diante da exposição urgente ao perigo. Há que dispor sempre de um ponto de apoio antes de puxar a alavanca que leva à morte, algo que me permita buscar uma âncora em tempo de crise.

Só  assim ficará  seguro como homem e será capaz de superar desde a força interior as dificuldades que comporta a vida real. Só  assim a débil loucura será só  algo potencial envolvida por uma forte configuração interna da personalidade e a âncora da vida no incondicional. No entanto, só  com a fé possuímos a certeza de que Deus poderá converter as perdas humanas em impulso de um  ganho superior.

Roberto Esteban Duque, sacerdote

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sábado, 28 de março de 2015

O cardeal Gerhard Müller qualificou de anti-católicas as declarações do cardeal Reinhard Marx sobre o sínodo

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O cardeal Gerhard Müller qualificou de anti-católicas as declarações do cardeal Reinhard Marx sobre o sínodo

A ideia de que as conferências episcopais possam tomar decisões doutrinais sobre o matrimônio e a família à margem do Papa e um sínodo geral é «absolutamente anti-católica». Assim o  assegurou o Cardeal Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé em uma entrevista exclusiva com a revista católica francesa Famille Chrétienne.
26/03/15


Sínodo da família
(Catholic Herald/InfoCatólica) O cardeal Gerhard Müller afirmou: «Esta é uma ideia absolutamente anti-católica que não respeita a catolicidade da Igreja. As conferências episcopais têm autoridade sobre certas questões, mas não um magistério paralelo ao Magistério, sem o Papa e sem comunhão com os demais bispos».



O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé  replicou as teses do cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência Episcopal Alemã, que em declarações a jornalistas assegurou que «não somos uma filial de Roma. Cada conferência episcopal é responsável pelo cuidado pastoral em sua cultura e devemos, como nossa tarefa mais apropriada, anunciar o evangelho por nossa conta». Quanto à pastoral, o cardeal Marx disse que «o Sínodo não pode prescrever em detalhe o que vamos fazer na Alemanha».

Diante disso, o Cardeal Müller, máxima autoridade doutrinal da Igreja Católica depois do Papa,  recordou que «uma conferência episcopal não é um sínodo local, menos ainda um concílio ecumênico. O presidente da conferência episcopal não é mais que um moderador técnico, e não tem nenhuma autoridade magisterial particular devido a este título».

Y acrescenta que «as dioceses não são tampouco dependentes da secretaria das conferências episcopais, nem da diocese cujo bispo preside a Conferência Episcopal».

O purpurado concluiu: «Essa atitude ameaça de fato com um despertar de uma certa polarização entre as Igrejas locais e da Igreja universal, algo fora de lugar depois dos concílios Vaticano I e Vaticano II. A Igreja não é a soma das igrejas nacionais, cujos presidentes votariam para eleger  seu chefe em nível mundial».

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